13/05/2011

Atemporalidade... Um lado retrô?

Por Aline Diedrich

Ah, quando eu crescer quero ser como vocês... Ah, quando eu crescer também quero escrever bonito assim!

Trazer esta ideia de retrô como velho ou desatualizado já é entrar numa concepção complexa do sentido etimológico da palavra... Ham? É, mais ou menos isto...

Por mais retrô possa ser ouvir aqueles mesmos clássicos dos anos 80, início a meados da década de 90, temos a impressão de que foram compostos ontem... Ou, até mesmo hoje de madrugada, antes de o sol invadir o quarto pela janela de vidro...

Meu Deus! Quem não gostaria de cantar “Brasil, mostra tua cara” diante da roubalheira e de todas essas coisas que já nos deixaram com aquela sensação de ser tão normais? (Sim, agora entendi o problema da naturalização das coisas)... Ou, “Todo mundo tá comprando os mais vendidos”... Algo mais Pop do que o próprio Papa? Talvez a Pampa, nos cogita aquela outra letra!

E utilizando nossa máquina do tempo, embora aqui as coisas sejam atemporais, não faz muito todo mundo cantava “Caminhando, cantando e seguindo a canção”. O mérito daquela propaganda do ENEM... Não... Que isto? Este trecho é da música “Pra não dizer que não falei das flores”, composta por Geraldo Vandré, e se tornou uma espécie de hino contra o sistema ditatorial militar em pleno AI-5.

Também na ditadura, Chico Buarque foi um dos cantores que mais sofreu com a censura. “Apesar de Você” que conseguiu burlar o sistema, vendeu 100 mil cópias. Os militares só perceberam a mensagem após um jornal ter comentado que a canção se referia ao presidente Médici. Na década de 70, Raul Seixas também teve várias músicas censuradas.

Com os anos 80 chegou a vez da voz do rock! Nasceram Ultraje a Rigor, Irá, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Titãs, Capital Inicial, etc. No Rio Grande do Sul, surgiram o Engenheiros do Hawaii e o Nenhum de Nós. Este estilo que muitos insistem ser norte - americanizado ganhava sim cara brasileira e cantava sim os anseios populares. O mesmo rock que seguiu pelos anos 90 e ainda ganhou com o estilo irreverente do Mamonas Assassinas. Quem nunca ouviu “O tempo não para” de Cazuza, “Toda Forma de Poder” ou a “Revolta dos Dândis” do Engenheiros, “Marvim” ou “Aluga-se” do Titãs, “Geração Coca-Cola” e “Vento no Litoral” do Legião Urbana ou ainda “Perplexo” do Paralamas do Sucesso? Ou se divertiu com o Robocop Gay dos Mamonas?

Sim, houve um verdadeiro “Tapa” Musical diante as mazelas. Sim, conseguiram falar de amor não por falar, mas para cantar histórias! Sim, não somos frutos de uma sociedade passiva e a sociedade da passividade não podemos nos tornar!

Que venham outros grandes poetas... E que a música não seja somente um estilo de vida, mas uma razão de ser!

“Só não me xingue, só não me xingue...de sub produto do rock”. (Barão Vermelho)


(Pessoal, publiquei este texto ontem... Mas com aquele problema que deu no blogger, acabei perdendo os comentários neste post e ainda tive que publicar o texto de novo... Fiquei chateada por ter perdido os recadinhos, mas fazer o que né :S )

26 comentários:

  1. Viva os poetas, viva a vanguarda. Eu amei a imagem, que já diz tudo por si só. Cultura é o que falta. Alienação é o que sobra. E viva Engenheiros do Hawaii, rs.

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  2. Sou extremamente suspeita pra falar de tudo que é retrô. Adoro Chico Buarque, Elis, Maysa ... acho até que 80 e 90 já é demais pra mim HAHA Gosto mesmo da década de 20, 30, 40 ... 50 *-* é tudo tão encantador; assim como o seu texto!

    Parabéns por nos trazer de volta grandes nomes.

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  3. nossa, tb perdi os coments do meu. =\
    enfim, muito bom sua reflexão, gostei bastnt dos posts anteriores
    estarei sempre por aki
    abraço

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  4. fico legal esses textos

    http://rocknrollpost.blogspot.com/

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  5. Oi Aline, excelent post esse, um pouco atual, um pouco nostálgico. Mas é isso mesmo, tudo é cíclico, as modas passam e voltam numa roupagem diferente. Esses tempos no qual vivemos, não consigo extrair nada de bom,sinceramente. Vivi intensamente os anos 80 quando era adolescente, e os 90 já não eram mais tão legais quanto a década anterior, e assim por diante.

    Um abração pra ti.

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  6. Oi aline, \o/ estou lhe linkando no meu blog,
    beijos moça.

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  7. Pois é, eu fico aqui pensando quais serão os grandes artidas de agora que serão cantados daqui a vinte, trinta anos. IVete, Claudia Leite, Zeca Pagodinho???
    Analisando assim, dá um certo desgosto. Mas daqui a alguns anos, sentiremos saudades.
    hoje em dia as festas retrô cantam boys e girlbands. Tudo o que achavam porcaria na época.
    Eu nem gosto do som dos anos oitenta, prefiro parar nos 60, 70. A necessidade de falar nas sublinhas exigia um maior esforço dos poetas.

    Linda a postagem,
    Vou seguir aqui.

    Vou nessa,
    Abraços!

    http://redutonegativo.blogspot.com
    http://cafeeagua.blogspot.com

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  8. oi linda! to te seguindo, segue tambem?

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  9. Olá Aline,
    Ótima matéria abordando uma postura musical durante épocas diferenciadas. Isso é muito importante, pois existem estilos musicais que são atemporais.
    Hoje em dia, principalmente no Brasil, a situação está caótica indo cada vez mais para o buraco, por pura falta total de talentos de verdade. É uma pena, ainda dependemos muito dos compositores de antigamente.
    Obviamente há exceções, mas poucas.
    Muito obrigado pelas palavras lá no blog.
    Ótimo domingo pra você e família.

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  10. A musica brasileira está na UTI hoje em dia. Se não for um bando de moleques com roupas coloridas são dois "cowboys" cantando musicas repetitivas e sem criatividade melódica.


    Ótimo texto. Gostei muito e concordo com vc.

    Meu blog: http://matocomcachorro.blogspot.com/

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  11. otimo post..
    gostei mesmo...
    blog legal..
    seguindo vc...

    adorei esse lane retro..

    abraços

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  12. que texto massa!
    me visita aew!quem sabe agente não vira parceiros?
    ----------------------------------------------------------------------------
    zoeirasanimada.blogspot.com

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  13. Acho essencial para a música que ela seja atemporal!
    Só assim para demonstrar e explorar a sua magnitude representativa!

    Belo post!

    ;D

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  14. Ola muito interessante seu blog, gostei! ja estou te seguino, me segue tbm >
    http://babiiliima.blogspot.com/

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  15. adorei o blog, ótimos textos, layout incrível e vc ainda é linda...tudo de bom...rs, já estou seguindo, se puder me dar uma força, achei seu blog na comu do orkut...

    www.paullodark.blogspot.com

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  16. Gostei das tuas versões...

    Te seguindo ;D

    http://lulua-lumoon.blogspot.com/

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  17. Oi, parabéns pelo blog! Está muito lindo..Adorei os posts!!
    Estou te seguindo qdo tiver um tempinho me segue?
    atividadedavida.blogspot.com

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  18. Reflexivo e atemporal diria assim! Também gostei dos seus textos. Ultimament ando sedento por mundos, pensamentos, e a cada dia descubro janelas, portas e caminhos para as cabeças dos outros!

    Fique a vontade no meu blog querida! Como eu disse, temos certas semelhanças!

    abraços

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  19. Nossa, que legal, eu também sinto o mesmo que você em relação a esse negócio de ser transportado do passado com músicas que não são necessariamente datadas até porque muita coisa que aconteceu ainda perdura até hoje. Adorei, aliás, estava pensando em escrever sobre algo assim também há pouco tempo, mas sob um enfoque diferente.
    Ainda falando sobre o post, acho que existe um certo aspecto nisso que faz com que música e poesia se ``confundam`` e ganhem essa capacidade de ser atual em qualquer período da história.

    OBS: Também tive o mesmo problema de perda de comentários.

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  20. Dizem que os anos 80 foi a melhor decada artistica ,no sentido de músicas,letras,bandas,novelas ...eu concordo pq meu estilo de música favorito são as músicas dos anos 80 principalmente rock...as letras diziam alguma coisa não era cançoes babacas iguais de hoje em dia que não dizem nada...os caras faziam letras de protestos politicos,ambientais é muito legal essa parte artistica dos anos 80

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  21. Tem uma amiga fazendo um trabalho acadêmico sobre o "Mamonas" e suas duas mortes, a morte real e a morte midiática... ela analisa como após o fim trágico da banda, esta teve silenciada toda a conotação crítica e política que tinha por trás de suas letras irônicas... nunca tinha analisado desta forma, sempre achei que a politização deles tinha morrido junto com o "Utopia" (embrião do Mamonas)... nunca tinha parado para analisar o trecho "roda, roda, vira, salta, roda, vem... já me passaram a mão na bunda, ainda não comi ninguém", e continuamos nesta dança (suruba) em que todos querem nos tirar uma casquinha e nós nunca tiramos vantagem de nada... "inútil a gente somos inútil"...

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  22. Adoro tudo que seja retrô. Bom texto, e ótimo blog, adoro.
    http://lollyoliver.wordpress.com/

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