Por Aline DiedrichQue doença não é brincadeira, todos nós sabemos e não podemos ignorar sintomas de enfermidades graves. A tal Gripe A (H1N1) – ou Gripe Suína como a maioria prefere chamar – parece estar neste rol do mal do século.
Mas a questão não é esta e sim: Cadê Aedes Aegypti?
É a epidemia do sensacionalismo nos meios de comunicação do Brasil!
Alertar pode ser dever da imprensa, mas causar um pânico generalizado acredito não ser a melhor solução.
O mais engraçado – ironicamente falando - foi ver pessoas usando máscaras em ônibus durante viagens, mas tirando ali mesmo para comerem sem sequer lavarem as mãos. (Creio que o medo da Gripe A, não levaria uma pessoa a tirar a máscara para fazer um lanche dentro de um transporte lotado, pois havia então a possibilidade do contágio caso algum enfermo estivesse viajando junto).
Noto também, nos locais públicos, que alguém com resfriado já causa comentários e outros ficam olhando, desconfiados. Mas onde está o “desconfiomêtro”?
Dê fato, estes acontecimentos me deram a prova nítida do medo da sociedade sobre a doença da mídia!
Só por fazer comparação, já estagiei em meios de comunicação de uma cidade com cerca de 35 mil habitantes – relativamente pequena – mas onde os assuntos também repercutem como em todo país. Ou seja, tive a oportunidade de noticiar sobre as doenças e seus transmissores.
Eu era criança quando o comentário girava em torno da febre amarela, houve campanha de vacinação e até aí tudo bem. Depois veio a dengue: “Não deixar água parada em recipientes abertos” - a afirmação é correta, mas já virou jargão.
Anos depois, estava eu fazendo cobertura sobre a febre a amarela, comunicando que as pessoas que se vacinaram na outra campanha não precisavam receber a dose novamente, visto que a validade é de 10 anos. Precisava fazer duas matérias por semana sobre o assunto em questão e os dados eram sempre os mesmos, mas como a criatividade é requisito para quem estuda comunicação social...
Pouco tempo depois, o Aedes Aegypti atacava novamente. Cada reportagem, o número de focos era diferente: as vezes mais, as vezes menos. O fato é que não sei se tivemos casos de dengue aqui ou se estava realmente controlada.
Mas entre os focos da dengue, eis que surgem mais bugios mortos na região! Nesta época, não sabia se o Aedes Aegypti ficava tranquilo em “recipientes abertos com água parada” ou nem existia mais, afinal, o assunto era a febre amarela de novo. (Lembro que eu estava escolhendo entre várias fotos dos bugios mortos para ver a qual ficava melhor com o texto).
Mas veio algo para fazer acabar com isto tudo. Digo, fazer cair no esquecimento: a leishmaniose! A doença que não era comum no Sul, mas como cães foram encontrados contaminados em uma cidade fronteiriça há cento e poucos quilômetros daqui, era preciso noticiar. Mas o assunto não durou muito tempo, porque surgiu a tal gripe.
Creio que o mais óbvio é: assim que surgir outro assunto que dê “pano pra manga” a mídia muda o foco, tendo ou não casos da Gripe A.
Acho que a ordem dos fatores não altera o produto: a notícia!
(Imagem: divulgação)